Montar em elefantes é uma atração turística “obrigatória” para muita gente que vai à Ásia. Como ir a Paris e visitar a Torre Eiffel. Ouvi de uma brasileira que conheci em Bangkok que andar em elefantes não é nada demais. “Chacoalha muito. É só pra tirar foto mesmo. Uma das coisas que tem que fazer pelo menos uma vez na vida, certo?”. Nesse post vou tentar mostrar por que isso é uma das coisas mais erradas que um turista pode fazer. 

(Assista em HD!)

Na Tailândia e em outros países asiáticos os elefantes eram tradicionalmente usados em guerras e também serviam como animais de carga. Nas últimas décadas, entreter turistas em shows e trekkings (passeios em trilhas) passou a ser a sua função mais lucrativa.

O elefante é um bicho grande e selvagem. Antes de ser treinado, ele precisa ser domado por meio de um ritual triste e extremamente brutal, chamado “phajaan”. Ainda filhote, o elefante é capturado, separado da mãe e submetido a uma série de torturas. É machucado na tromba, orelhas e patinhas. Passa dias encarcerado num cubículo, com fome, sede e sem poder dormir. O objetivo é machucar o animal por fora e por dentro. Até que seu espírito se quebre e obedecer se torne a única forma de sobreviver. 

Show de elefantes em Ayutthaya, na Tailândia. (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
Show de elefantes em Ayutthaya, na Tailândia. (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)

A partir daí, começam os treinamentos em circos, locais de shows e passeios. São trabalhos forçados. Na maioria deles, os elefantes ficam acorrentados e sofrem maus-tratos quando desobedientes. Os condutores andam com um machadinho (no vídeo dá pra ver melhor) e batem nos animais a todo momento, para reforçar a ideia de quem manda ali. Os maus-tratos são tão rotineiros que acontecem bem diante dos olhos da plateia. Só não vê quem não quer. É algo bem controverso, já que os elefantes são animais sagrados para o budismo.

Santuários dos elefantes

Eu já tinha ouvido falar nesses maus-tratos. Mas quando vemos as coisas com os próprios olhos, elas tomam outra proporção. Vi elefantes na Tailândia, Laos e Camboja. Em todos os lugares, me deparei com elefantes de olhos tristes e conformados. De cortar o coração.

Existem hoje na Tailândia cerca de apenas 3.000 elefantes e a imensa maioria é explorada pelo turismo. Diante da situação delicada dos animais no país, surgiram algumas iniciativas muito legais. Centros que cuidam de elefantes resgatados do turismo exploratório estão abrindo as portas para visitantes passarem um tempinho com eles. Pode ser uma tarde, um dia ou até um voluntariado de semanas. Nesses lugares, os elefantes não fazem poses nem palhaçadas. Nem te levam para passear. Você dá comida, banho de cachoeira, faz carinho e brinca na lama com eles. Se tiver sorte, ainda ganha um beijo melado na bochecha (SPOILER: faz cócegas e é melhor que chocolate)!

Eu recomendo dois centros, ambos localizados em áreas verdes próximas a Chiang Mai, no norte da Tailândia. O Elephant Jungle Sanctuary e o Elephant Nature Park.  Uma visita dessas é bem mais cara do que um passeio ou um showzinho. Mas a experiência de poder fazer carinho e abraçar um elefante por horas não tem preço.  

PS: Se optar por visitar um centro que cuida dos elefantes, certifique-se de que ele é sério mesmo. Vi panfletos de lugares que se diziam “santuários”, mas incluíam na programação passeios (trekkings) e performances de elefantes-artistas, que fazem desenhos com a tromba.  

O vídeo que abre este post foi feito no Tranquil Valley Sanctuary. Passei o dia de Natal lá, sem a minha família, mas rodeada por 6 elefantes muito fofos. Demorei quase duas horas na traseira de um jeep pra chegar. Trocamos de roupa (para não sujar a nossa), ouvimos um pouco sobre a história do “phajaan” e dos elefantes que vivem no santuário. O que me impressionou foi ver que os elefantes ficam soltos a todo momento e não são obrigados a nada. Tanto que um deles não quis brincar na lama e ficou tomando sol num canto tranquilo, sem ser incomodado.

(Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
(Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
Passei o dia de Natal rodeada por elefantes! (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
Passei o dia de Natal sozinha, mas rodeada por elefantes! (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
(Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
(Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
(Foto: Nathalia Tavolieri / viagem em Detalhes)
(Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
(Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
(Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
(Foto: Nathalia Tavolieri / viagem em Detalhes)
(Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
Banho de cachoeira com elefantes. (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
Banho de cachoeira com elefantes. (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)

Turistas do bem

É fácil apontar o dedo pro outro e criticar um costume de outra cultura que soa tão errado pra gente. Confesso que como carne de animais abatidos em frigoríficos e não penso muito se a calça que vou comprar foi feita por mão de obra escrava. Não é a mesma coisa, mas segue o mesmo princípio. Não adianta criticar algo se você contribui para que ele aconteça. Uma das lições que aprendi no meu mochilão é que temos que ser um pouquinho mais conscientes em cada escolha que fazemos. Seja em viagens, seja no dia a dia. 

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9 COMENTÁRIOS

  1. Esse é um assunto muito sério!
    Infelizmente, muitos lugares tratam muito mal os elefantes e os bichinhos estão lá com o simples propósito de atrair turistas e fazer dinheiro. Ainda bem que existem lugares que vão na contra-mão!
    Temos que praticar o turismo responsável sempre!

  2. estou indo pra tailandia em alguns meses e me recusei em fazer passeios que maltratam animais. achei um lugar desses de resgate chamado elephant retirement park e estou em contato com eles pra fazer minha reserva, não quero de forma alguma dar o meu dinheiro pra esse tipo de turismo exploratório =(
    parabéns pelo post!

    • Obrigada Ana Elisa!!
      Realmente é muito triste ver os animais sendo maltratados, acho que essa cultura está começando a mudar, as pessoas estão ficando aos poucos mais conscientes.
      Abraços,
      Renata

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