Luang Prabang é a menina dos olhos do Laos. Antiga capital do país, é cercada por paisagens montanhosas e pelas águas amarronzadas dos rios Nam Khan e Mekong. Se for ao Laos, não pule Luang Prabang. Apesar de ficar num país muito pobre, você vai notar pelo longo caminho até chegar lá, tem um centrinho charmoso, com pousadas arrumadas, barzinhos e restaurantes com cardápio ocidental. Tem até padaria vendendo croissant e brigadeiro – herança da fase em que foi colônia francesa. Quem depois de um tempo na Ásia busca um lugar mais familiar, vai se sentir bem por lá.

O Laos é um país sobre o qual nem todo mundo ouve falar. Talvez por isso (também), tem sido cada vez mais procurado por quem quer explorar o Sudeste Asiático. Luang Prabang tem cerca de 50 mil habitantes. Mas parece ter menos. Apesar do agitinho noturno e da infraestrutura para o turismo, continua silenciosa, tranquila de passear.

Os gringos ficam malucos com as paisagens naturais ao redor de Luang Prabang. Por ser brasileira, eu particularmente não me surpreendi tanto com o cenário. Isso não diminui em nada beleza do lugar, considerado Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. É só que, não vá até Luang Prabang com expectativa por paisagens naturais exóticas. Você vai ver muitas montanhas verdinhas, rios e cachoeiras – o que já temos em “casa”. Mais uma vez, as paisagens são belíssimas, só não tão diferentes pra gente. Digo isso porque chegar até Luang Prabang é um certo rolê. Um rolê muito bonito, mas demorado (detalhes no tópico como chegar).

(Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
(Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
Vista do alto do Monte Phousi. (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
Vista do alto do Monte Phousi. (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)

O que fazer

Há muita coisa legal pra fazer em Luang Prabang, como acompanhar a “Ronda das almas” (fiz um post só sobre esse ritual), aulas de culinária, visitas a vilarejos pobres na periferia, além de trilhas pela região. Fiquei dois dias em Luang Prabang. Abaixo, o que mais gostei:

Kuang Si Waterfalls

A cachoeira principal. (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
A cachoeira principal. (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
(Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
(Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)

Já vi muita cachoeira na vida, mas nunca uma com cor de água tão bonita. As Kuang Si Waterfalls ficam a 30 km ao sul de Luang Prabang. Tente ir pela manhã, há menos turistas. Se estiver sozinho, como eu, divida um tuk tuk com outros viajantes. Tem de monte na rua principal. Paguei 30.000 kips (moeda do Laos), o equivalente a R$ 15, ida e volta, e o motorista ficou nos esperando na entrada por 5 horas. Também dá pra ir de moto (para os mais experientes, pois o trajeto é cheio de curvas) ou de bicicleta (também para os mais experientes, pois há muitas subidas). Além disso, sempre é possível fechar um tour numa agência.

A entrada para o Tat Kuang Si Park, parque onde estão as cachoeiras, custa 20.000 kips (mais ou menos R$ 10). Lá também há um centro que cuida de ursos resgatados, o Tat Kuang Si Rescue Centre.

Dá para tomar banho nas piscinas naturais das cachoeiras menores. Na principal, não. Mas você pode subir até o topo dela. O caminho exige esforço, é bem íngrime, mas vale a pena. Vá com um tênis batidão, porque ele vai voltar marrom. Na empolgacão, fiz a trilha até a nascente. São cerca de 3 km relativamente bem sinalizados. Quase ninguém vai até lá, então o caminho é solitário. Mas a vista é recompensadora.

Para comer, sugiro comprar guloseimas logo na entrada. Com uma paisagem tão bonita, você não vai querer perder tempo dentro do restaurante. Também há mesinhas para fazer piqueniques.

Templos budistas

Se você já tiver passado por Bangkok, Chiang Mai e Chiang Rai provavelmente estará um pouco saturado de templos budistas. Os que você vai encontrar em Luang Prabang são mais vazios e tem decoração diferente do que você vai ter visto até então.

(Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
(Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
 (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
(Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
 (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
(Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)

Passeio de bicicleta

Deixe a preguiça de lado e dispense o tuk tuk. Dá pra conhecer o centrinho de Luang Prabang em um dia a pé. De bicicleta, fica mais divertido.

Escola no centro de Luang Prabang. (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
Escola no centro de Luang Prabang. (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
Só use tuk tuk para passeios pelas redondezas da cidade. (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
Só use tuk tuk para passeios pelas redondezas da cidade. (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)

Pôr do sol deslumbrante

Da margem do rio Mekong você não vai conseguir ver direito. Pegue um barquinho e assista ao pôr do sol do rio mesmo. Há vários passeios de barco vendidos na margem do rio. Eu assisti ao pôr do sol do alto. Subi os 300 de degraus do Monte Phousi (entrada: 20.000 mil kips), uma espécie de mirante no centro de Luang Prabang. Ao entardecer, dá pra ver o sol cair entre as montanhas, colorindo o céu de rosa e lilás, como uma pintura.

(Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
(Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
(Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
Na foto não é tao bonito como na realidade. (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)

Feirinha noturna

Ao anoitecer, a rua principal da cidade fecha para dar lugar à feirinha noturna, com barracas de artesanatos e comidas locais. Encontrei feirinhas em todas as cidades que visitei pelo Sudeste Asiático, mas a de Luang Prabang foi a mais bonita (e a mais cara também, mas nada absurdo).

A comida do Laos é bem saborosa e, pra quem estava na Tailandia, dá uma quebrada no Pad Thai nosso de cada dia. Acho besteira comer nos restaurantes com “cara ocidental” que tem por lá. Se jogue nos buffets all you can eat com variedades de noodles, vegetais cozidos, friturinhas mil e churrasco de peixe.

Artistas de rua em Luang Prabang. (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
Artistas de rua em Luang Prabang. (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
Sao tantas opções que dá vontade de experimentar tudo! (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
(Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
(Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
(Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)

Bar Utopia

Como em toda cidade pequena, a noite todo mundo vai se divertir no mesmo lugar. É o bar Utopia. Fica aberto até 23h30, pontualmente. Para aproveitar ao máximo a noite regada à Beer Lao (cerveja local barata e gostosa), chegue cedo. Como quem dorme cedo, acorda cedo (na teoria), dá pra fazer aula de ioga lá mesmo, na manhã seguinte. Baladeiros podem estender a noite no boliche da cidade, que fica aberto até 2h da manha. Não se preocupe em como chegar lá. Voce certamente será abordado na saída do bar por motoristas de tuk tuk gritando: “bowling, bowling”, repetida e incansavelmente – até você se convencer.

Como chegar

Ou: o rolê até Luang Prabang.

Como você pode ir

O roteiro mais comum para chegar a Luang Prabang é a partir do norte da Tailândia. Há diversas alternativas, mas as informações sobre horários, duração e preços não são dadas de bandeja. Por isso é bom checar pessoalmente.

Apesar de pequenininha, Luang Prabang tem aeroporto (!). Você pode pegar um voo direto a partir de Chiang Mai, por exemplo. É a opção mais cara, principalmente se você não gosta de comprar passagens com antecedência, assim como eu. (Não curto ficar “presa” num lugar por conta de passagens já compradas. Prefiro poder esticar ou encurtar a minha estadia livremente.)

A maioria dos turistas faz o trajeto de barco a partir da Huay Xai, na fronteira com a Tailândia. De Chiang Mai, por exemplo, dá pra ir de ônibus via Chiang Rai. Há três tipos de barco que fazem o trajeto:

Slowboat: Escolha mais barata e comum entre os viajantes. O percurso leva 2 dias, com pernoite em Pakbeng. Se não tiver comprado passagem com agência, você procura hospedagem chegando lá mesmo. Pelos relatos de quem vai, sempre tem quarto livre. A passagem custa cerca de R$ 110.

Speedboat: Percorre o mesmo caminho em apenas um dia. Além de ser mais caro, outros “poréns” contribuem para a impopularidade do speedboat: a fama de não ser seguro (capacete e colete salva-vidas se fazem mais que necessários) e o fato de ser superbarulhento e nada confortável. Fora que, como o barco não tem cobertura, faça chuva, faça sol, você vai sentir as consequências na pele – literalmente.

Barco de luxo: O preço sobe bastante, para mais de US$379 (baixa temporada) e US$542 (alta temporada) por pessoa. Mas lembre que, neste caso, não é só a passagem, um passeio de dois dias com hospedagem e refeições inclusas. Aqui você encontra mais informações.

Ao anoitecer, o nightmarket ocupa a rua principal. (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
Ao anoitecer, o nightmarket ocupa a rua principal. (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
Barraquinha com buffet "all you can eat" na feirinha noturna. Comidas são bem gostosas e baratas. (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
Barraquinha com buffet “all you can eat” na feirinha noturna. Comidas são bem gostosas e baratas. (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagem em Detalhes)
Comi nessa barraquinha aí. Buffet com mil opções por 10.000 kips. (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagens em Detalhes)
Comi nessa barraquinha aí. Buffet com mil opções por 10.000 kips. (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagens em Detalhes)

Como eu fui

Como eu estava com os dias apertados, recorri ao bom e velho overnight bus. Foi a opção menos demorada que encontrei. Mesmo assim levei mais de 17 horas num ônibus bem simples para chegar até Luang Prabang, a partir de Chiang Rai. O preço da passagem foi o equivalente a quase R$ 110, mesmo valor do slowboat.


PS: Como fui parar em Chiang Rai?

Improvisei um roteiro não muito convencional, mas funcionou – não é sempre que a gente acerta! De Chiang Mai fiz um passeio que seria de bate-volta para Chiang Rai e região para conhecer as mulheres com argolas no pescoço e o (lindíssimo) templo branco. Como pretendia ir a Luang Prabang, pedi ao motorista do tour que me deixasse lá em Chiang Rai mesmo e não voltei com o resto do grupo para Chiang Mai. É uma boa ideia para quem não tem dias de sobra.


Voltando à trajetória até Luang Prabang: O ônibus sai de Chiang Rai e faz uma parada em Chiang Kong, na fronteira com o Laos. A imigração é feita em guiches. A primeira etapa é sair oficialmente da Tailândia. Você vai precisar preencher um formulário. Não perca esse papel se for retornar à Tailândia. Após passar pela imigração tailandesa, é hora de fazer o visto de turista para o Laos, válido para duas semanas. Basta apresentar o passaporte (com validade mínima de seis meses) e um endereço de estadia no Laos, que você vai anotar em outro formulário (eles não checam se você vai mesmo ficar no hotel que anotou ali, é só burocracia). A taxa do visto custa US$30 e tem que ser paga em dólar. Há caixas automáticos no local. Eles cobram US$1 a mais de quem, como eu, não levou uma foto 3×4. E se for domingo, também o meu caso, você paga mais US$1 porque…é domingo, oras.

O trajeto de ônibus é lindo de morrer. O ônibus percorre uma estrada pelas montanhas, cheia de curvas, como uma serra. Uma serra sem fim. Sem fim. Depois de algumas horas naquela estrada doida, com o motorista fazendo ultrapassagens aleatórias num breu total, fiquei levemente tensa. Meus colegas de busão, também. Outra peculiaridade é que o ônibus para em locais no meio do “nada” para pegar passageiros.

Fizemos uma única parada, em Luang Nam, quando já era noite. Cheguei em Luang Prabang por volta das 5h da manha. Lá na estação há vários tuk tuks à espera pra te levar ao centrinho. Por chegar tão cedo é que pude acompanhar a emocionante “Ronda das almas”, ritual de doação de alimentos aos monges. (Saiba como é essa tradição budista neste post aqui).

De Luang Prabang há onibus para as outras duas cidades mais procuradas pelos turistas no país: Vang Vieng e a capital, Vientiane. Também é possível retornar à Tailândia – roteiro menos comum.

Fim de tarde lindo dentro do ônibus... (Foto: Nathalia Tavolieri)
Fim de tarde lindo dentro do ônibus… (Foto: Nathalia Tavolieri)
A única parada da viagem foi na rodoviária de Luang Nam. (Foto: Nathalia Tavolieri)
A única parada da viagem foi na rodoviária de Luang Nam. (Foto: Nathalia Tavolieri)

Quando ir

A melhor época do ano para visitar Luang Prabang é de outubro e fevereiro, quando o tempo é seco. Eu fui no final de dezembro, alta temporada, e tive dificuldade de bookar hostel na última hora (tipo, reserva pro dia seguinte!). Mas se você for um pouquinho mais organizado, vai se sair bem. De março a setembro você corre o risco de pegar dias chuvosos, que atrapalham os programas legais ao ar livre – o grande atrativo da região.

Foto inspiradora pra terminar o post! (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagens em Detalhes)
Foto inspiradora pra terminar o post! (Foto: Nathalia Tavolieri / Viagens em Detalhes)

PARCEIROS




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2 COMENTÁRIOS

  1. Oi!! Adorei o post, foi bem esclarecedor! Tenho só uma dúvida: é tranquilo comprar a passagem de onibus na hora lá em Chiang Mai, mesmo em alta temporada? Vou em dezembro e tenho medo de deixar pra depois e ter que gastar com avião.
    Obrigada!!

    • Oi, Júlia! Eu fui no final de dezembro (alta temporada) e sempre comprei as passagens de ônibus na hora mesmo viu. O que pode acontecer é não ter mais lugar no ônibus em determinado horário. Sugiro vc comprar assim que chegar na cidade e decidir que dia /hora vai partir pra próxima. Bjs!

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